Ontem descobri dejectos de rato na minha cozinha e tive um ataque de nervos.
A minha casa só tem rés-do-chão e quintais nas traseiras, pelo que sei os riscos que corro ao deixar a porta aberta. Mas a verdade é que em 15 anos, nunca tal me aconteceu.
Se o diabo do bicho consegue ir para o meu armário onde tenho os tecidos, estou feita.
Os dejetos estavam concentrados numa única zona - no armário por debaixo da banca, onde está o balde do lixo.
Ora, o mesmo estava partido na zona da porta; não abria automaticamente. Mas era só isso. Essa zona tem um buraco para o chão, para passar canos e é aberta nas traseiras.
Há anos que tenho um substituto. Consegui-o, trocando por um voucher de viagens que não ia utilizar. Mas como aquilo tem de ser muito bem aplicado, para fechar correctamente, fui adiado... e adiando... e adiando...
Ontem, removi o balde completamente. Agora estou sem balde do lixo na cozinha e assim ficará até perceber se ainda tenho um rato em casa, e colocar o novo.
No chão, por debaixo dos armários não vi nada. Nem dentro dos restantes armários porque não há acesso.
Cada rectângulo é uma amostra de veludo, dezenas de horas de trabalho, terão tornado as amostras numa única peça de 3 x 2 metros.
Esse trabalho não foi feito por mim. Herdei a manta de retalhos da minha mãe, que por sua vez a recebeu de uma colega de trabalho.
Eu limitei-me a coser-lhe um tecido no verso e limpar toda a casa, porque as costuras de veludo largaram imenso detritos.
Deu uma trabalheira, porque é pesadíssimo e enorme, mas no final, consegui terminar e ainda aproveitar para destralhar:
- a manta de retalhos estava no meu guarda-vestidos;
- o tecido às flores estava no saco dos tecidos;
- aproveitei para esvaziar bobines de linha, quando cosia do avesso;
Sem querer, criei uma coberta com um lado de inverno e de verão.
Mas a verdade é que é visualmente é demasiado, para o meu gosto pessoal. Com ou sem almofadas.
Agora estou sem saber o que fazer.
A minha mãe quer ficar com ela, mas sei que é apenas uma tralha na casa dela. E quem arruma e limpa as tralhas dela sou eu. Se dou, ela vai ficar chateada. A intenção era boa e tinha de ser feito, mas agora arranjei um novo problema.
Porém, na pior das hipóteses, só tenho de cortar as margens (porque me recuso a desmanchar 20 metros de costuras) e fico novamente com os tecidos intactos.
No início de Outubro tinha encontrado um organizador de guarda-vestidos, que era precisamente o que precisava para criar arrumação de roupa pequena, que ficou sem casa quando destralhei uma cómoda.
Primeiro tive de relocalizar um varão.
Como era muito comprido para o espaço, cortei em dois.
Num dos organizadores, tive de fazer uma secção e um topo.
Aproveitei uma renda de um cortinado que se rasgou, e que dificilmente teria utilidade (até porque não sou fã de rendas). Aproveitei um outro pedaço de tecido e fiz um topo com cartão no interior, para que não deformasse.
Ainda assim, já percebi que necessito de ajustar a divisão do peso nas fitas.
A secção maior será ideal para colocar camisolas interiores e pijamas.
Consegui fazer tudo muito rapidamente porque não tive com cuidados. É para o interior de um armário e eu não me ralo.
Fui coleccionando caixas de cartão e rapidamente fiz umas gavetas. Só fiz pequenos ajustes às caixas para ficar do tamanho ideal.
Aliás, são bem necessárias porque organizador não tem suporte nas divisórias interiores. O tecido "afunda" mal lhe coloque algo em cima. Provavelmente foi por isso que alguém o destralhou para uma loja solidária.
Para já vou utilizar como está. Se realmente for o que preciso, aí sim, irei forrar as caixas e até colocar umas pegas. Acho que até me dou ao luxo de comprar um lençol branco usado, numa loja solidária, para ficar mais apresentável.
Mas primeiro quero "viver" neste sistema e colocar nele a roupa quente/mais volumosa e perceber se funciona para mim.
O mês de limpezas em Outubro foi um misto de desastre completo e conclusões interessantes. Pôr-me a fazer um desafio destes no meio de obras em 3 divisões da casa, foi idiotice.
Porém, também foi um abrir de olhos para algumas coisas:
1.
Experimentar métodos e hábitos de outras pessoas é interessante, e até pode fazer com que encontremos a resposta ideal para nós, mas em última análise, o caminho a percorrer é nosso.
2.
A vida dificilmente é organizada e planeável. Há que saber ajustar as expectativas para algo realista.
3.
Continuo a sentir que, o não conseguir cumprir objectivos (como o deste objectivo) está mais relacionado com falta de disciplina, que qualquer outra coisa.
4.
Destralhar as superfícies e a banca da cozinha, em 5 minutos no final do dia, faz mais pela arrumação da minha casa, que qualquer outro hábito.