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Destralhar

Plano B da Vida

Destralhar

Plano B da Vida

Um final de ano atribulado

As últimas semanas não têm sido fáceis, no que respeita à gestão do tempo e emoções. Um episódio na saúde da minha mãe, que culminou nas urgências do hospital, levaram-me a algumas conclusões difíceis:

 

- está a ser cada vez mais difícil conciliar a vida profissional e familiar; adiar tarefas deixa de ser uma opção, quando não sabes como será o dia de amanhã;

 

- não tenho força física para pegar na minha mãe e isso assusta-me;

 

-  é absurdo ir para o hospital com três carteiras: a minha, a dela a dos exames;

 

- para o hospital, a regra é vestuário confortável e o apresentável que se lixe;

 

- a minha casa precisa de ser destralhada.

Perdas

Sinto-me a perder referências. Primeiro foi Pedro Rolo Duarte, editor do primeiro jornal que comecei a comprar com o meu dinheiro - O Independente, a minha entrada para a idade adulta. 

 

Agora Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, que foi a minha casinha na adolescência.  

Para mim, o Zé Pedro sempre foi/será o Homem do Leme:

 

Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

 

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

 

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

 

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

 

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

 

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

 

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

 

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

 

 

Em ambos os obituários, o profissional é apenas uma introdução para louvar a atitude para com a vida de cada um, a forma como marcaram as vidas de com quem eles privaram. 

 

Penso nisso com frequência, como guia das minhas acções. Quando morrer, como quero que se lembrem de mim?

 

Mulher a sério...

Um dia disseram-me que uma mulher a sério usa maquilhagem. Mas existem vários discursos semelhantes: mulher a sério gosta de carteiras, roupas, sapatos...

 

Eu não tenho qualquer problema com essas coisas, mas irrita-me solenemente a contínua associação do feminismo a um conjunto de acessórios descartáveis.

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E assim vos deixo com a minha irritação da semana.