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Destralhar

Plano B da Vida

Destralhar

Plano B da Vida

Mulher a sério...

Um dia disseram-me que uma mulher a sério usa maquilhagem. Mas existem vários discursos semelhantes: mulher a sério gosta de carteiras, roupas, sapatos...

 

Eu não tenho qualquer problema com essas coisas, mas irrita-me solenemente a contínua associação do feminismo a um conjunto de acessórios descartáveis.

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E assim vos deixo com a minha irritação da semana. 

 

Uma espécie de ponto de situação...


Acho que corro o risco de criar alguma controversa, mas aqui vai.

 

O Cláudio Franco, sem saber, acabou por me deixar a pensar nos conceitos e nas ligações entre destralhar, minimalismo, abrandar, simplificar.



 



Quando comecei o blog, optei pelo "destralhar" (todo o tipo de tralhas - coisas e mente), porque não me revia na estética do minimalismo.



 



Ainda esta manhã passava por um blog lindíssimo e lia sobre abrandar. Mas olho para esse blog e são só imagens com divisões imaculadas, brancas, esteticamente perfeitas, falam do campo como um local idílico e fim em si mesmo.



 



Eu não me revejo nesse mundo. A minha casa não é assim, a minha vida não é assim e o quintal cá em casa não é assim.



 



Mas sabem que mais? A vida de muitas dessas pessoas, que utilizam essas imagens, também não é.

 

 



Fiz um exercício: peguei uma linda imagem de um blog sobre simplificar/abrandar e pesquisei-a no google - 22 resultados. Os primeiros resultados foram de blogs sobre minimalismo/simplificar de língua portuguesa.



 



Por vezes, o minimalismo também é uma imagem que nos querem vender. O problema é ser como as modelos cujas imagens alteram digitalmente - são imagens irrealistas, que têm como consequência fazerem-nos sentir imperfeitas.

 

 



Para mim, destralhar é igual a retirar o excesso da minha vida, seja ele em coisas materiais, seja em pessoas tóxicas, seja em ocupações de tempo que não merecem o meu tempo. Neste momento, esse caminho parece-me ser o que preciso de fazer.

 

Não sou perfeita e este blog é tudo menos perfeito. Mas pelo menos posso dizer que é verdadeiro. 

As minha relação com o vestuário

Nos últimos anos, à medida que a minha relação com o "destralhar" progredia, comecei a tomar consciência da minha relação com o vestuário. 

Sempre foi uma relação amor-ódio. Queria vestir-me "bem" mas detestava tudo que isso implicava: compras, gastar dinheiro, arrumar, passar a ferro, escolher o que vestir.

 

Porque não gostava de roupa, também acabava por descartá-la sem consideração de maior sobre os custos para mim, para os outros ou para o ambiente. 

 

 

Fonte aqui.

 

4 anos depois, sei que:

- não me visto por prazer, mas por obrigação social ou conforto

- não vejo a roupa como forma de expressão individual, mas apenas pela sua função utilitária

- não me importo de andar sempre com o mesmo tipo de roupa

- não me importo de remendar peças de roupa

- continuo a detestar arrumar roupa ou passá-la a ferro

 

Tudo isto a propósito de um buraco que encontrei numa camisola, debaixo do braço. Há quatro anos a camisola teria ido para o lixo, mas hoje vai ser remendada.

E o pijama cujas mangas mingaram? Vai levar uma "extensão feita com restos de malha polar.  

 

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