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Destralhar

Plano B da Vida

Destralhar

Plano B da Vida

Kaizen = Melhoria

改善 

kaisen

 

Precisamente esta semana, quando me encontro numa fase menos boa, tropeço numa expressão japonesa, que significa melhoria.

Actualmente, é mais conhecida como uma filosofia de melhoria contínua, mais aplicada ao mundo industrial e profissional. 

 

O modelo Kaisen defende que o ponto de partida para uma melhoria é reconhecer a necessidade, que no fundo é reconhecer a existência de um problema. 

 

E o que tem o destralhar a ver com isto? É que um dos pressupostos deste modelo é precisamente que, se deve eliminar o desperdício, utilizando soluções baratas e bom senso. Outro, é que se trata de um modelo de melhoria contínua, com práticas incorporadas no dia-a-dia. 

 

O modelo Kaisen é suportado em 5 actividades (5S): 

  • Seiton - senso de ordenação

Traduz-se na ideia que deveremos ter as coisas ordenadas para não perdermos tempo a procura-las.

No fundo, é ter uma casa para as coisas, como quando decidi que as chaves da casa passavam a ter uma casa penduradas no bengaleiro; a cesta onde coloco a máquina fotográfica + acessórios; a cesta onde coloco os leitores de mp3, auscultadores e fio de carregar o telemóvel.

  • Seiri - senso de utilização

Ter a consciência de que se deve ter apenas o necessário, já que manter o desnecessário tem custos e pode até ser um obstáculo nas nossas vidas.

Custos quando gastamos dinheiro para os comprar, quando os tempos de arrumar e limpar... 

  • Seiso - limpeza

É importante ter um local limpo e por isso, para isso, ter uma rotina de limpeza.

  • Seiketsu - senso de saúde e higiene

Devemos sempre manter um espaço favorável à saúde e higiene. E note-se que aqui não é apenas a saúde física no sentido estrito, mas também a saúde mental.

  • Shitsuke - senso de autodisciplina

É preciso transformar práticas em hábitos.

 

Em suma, sinto que já havia escrito tudo isto, mas em japonês, soa muito melhor. 

 

おはようございます

Ainda sobre os meus sapatos

Destralhar o calçado foi uma boa solução para alguns problemas.

 

Deixei de ter calçado espalhado pela casa. Passei a ter um sítio específico para cada peça de calçado - serem poucos, torna tudo mais fácil. 

O espaço livre também me permitiu ter um local para uma extensão eléctrica que uso mais regularmente.

Finalmente, fiquei com uma casa para colocar a minha carteira e/ou coisas que tenho de levar comigo quando saio para trabalhar. A carteira deixou de andar pousada pelos móveis. Os livros da biblioteca, também. 

 

Isto veio reforçar a ideia que as minhas coisas precisam de "casas" para que não se tornem um fardo. 

O valor da nossa tralha

Há dias ouvia o autor do livro "The disciplined pursuit of less" referir-se ao "endowment effect" (efeito da dotação). 

 

O efeito da dotação é uma hipótese da psicologia (com reflexos na macro economia), segundo o qual uma pessoa atribui maior valor a uma coisa, apenas porque a possui. Numa outra perspectiva, nós exigimos muito mais para nos desfazermos de uma coisa, que para a adquirir. 

 

Essa valorização, explica muito da nossas dificuldades em destralhar ou até em doar, vender ou trocar as nossas coisas usadas. 

 

Um dos exemplos mais famosos do efeito dotação é de um estudo no qual os participantes receberam uma caneca. De seguida, foi oferecida aos participantes a possibilidade de a trocar por um itens igualmente valioso (em preço). O que aconteceu foi que os participantes exigiam o dobro do valor, para ceder a caneca (depois de ser sua) daquele pelo qual estavam dispostos a pagar para a adquirir.

 

Ora, racionalmente nós sabemos que esta propensão para valorizar mais os objectos que possuímos é errada. Ainda assim, é um desequilibro que nos surge naturalmente. 

 

Por isso, nada como usar o conhecimento, para nos esforçamos para usar a razão ao destralhar as coisas lá de casa.