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Destralhar

Plano B da Vida

Destralhar

Plano B da Vida

Eu não sou minimalista (definitivamente)

Definitivamente não sou uma minimalista nem pretendo ser. Eu gosto das minhas coisas. Não questiono o estilo de vida minimalista, mas simplesmente (ou pelo menos na sua versão mais pura) não será para mim. Ou simplesmente estou demasiado sugestionada pelas imagens que são transmitidas do minimalismo com sendo um "mínimo de coisas" atingido e não um progresso, um caminho.

 

O meu objectivo sempre foi simplificar as coisas: encontrar objectos quando preciso deles, remover os excessos (para que não ocupem espaço precioso numa pequena casa e para que não tenha de os limpar), ter mais espaço para o que gosto e preciso.

 

Não é pouco. Pensei que fosse simples, mas não é. Comecei há mais de um ano e sinto que ainda estou longe de terminar (mas definitivamente mais perto). Sempre disse que isto é uma maratona e não um sprint. Um passo de cada vez.

 

Ultimamente tem sido mais uma corrida de obstáculos que tem determinado os soluços no blog. Lamento.

 

Serve este momento para uma reflexão pessoal sobre o destralhar. Destralhar tem-me ajudado a organizar COISAS, mas não é panaceia para tudo que é a nossa vida. E por vezes sinto que é transmitido dessa forma. Se alguma vez sentiram isso nas minhas palavras, não foi essa a minha intenção.

 

Destralhar tem melhorado alguns aspectos da minha vida. Com menos coisas e mais organizadas sinto que tenho mais controlo sobre a casa - SOBRE A CASA - não sobre a vida. Tenho poupado imenso porque considero com mais cuidado o que compro e se é necessário comprar.

 

Mas a vida não estava e não está nas coisas.

Destralhar

Julgo que foi há cerca de 2 anos que vi esta tradução abrasileirada do verbo que já conhecia em inglês: "declutter". E se ao início me pareceu estranho, fui sentindo que era bastante próxima da realidade: remover a tralha. Cheguei a idealizar um blog - as tralhas da Cris, que foi prontamente substituído (antes de implementado) pela venda dos excessos no MIAU. 


 


Parece intempestivo, mas na verdade, é a evolução natural: comecei com o um blog de cozinha (agora desactivado) onde trabalhava no imediato - a alimentação. Jamais pretendi competir com os magníficos blogs de culinária que povoam a blogosfera. Eu não sei cozinhar. Procurava outro caminho - a cozinha para quem não sabe e não gosta de cozinhar. Com receitas que pudessem ser duplicadas, congeladas e rentabilizadas.


 


Paralelamente, as estratégias de diminuir o desperdício alimentar. E essa eficiência só se consegue com organização e isso não se limita à cozinha.


 


Depois, o comprar de forma mais eficiente e com maior responsabilidade financeira (um reflexo directo da constatação dos desperdícios identificados). O meu percurso, com o objectivo de partilhar com familiares e amigas as promoções e vales de desconto disponíveis e ao mesmo auto-responsabilizar-me pelo caminho.


 


Mas a minha vida não é apenas cozinha e supermercados. Tenho um quintal cujos cuidados quero retomar, faço imensas "bricolices" pela casa - pinto, mudo tomadas e muitas outras pequenas reparações e manutenções. A minha casa é dos anos 20 e foi totalmente recuperada pelos braços do meu pai. Nestas coisas, é ele o mestre, o mentor e quem tem as ferramentas. Deixa sempre restos de tinta e diz sempre que depois de seco limpa-se bem. Não acreditem! 


 


E depois tenho as sobrinhas com quem faço actividades diversas, passeios ou para as quais faço materiais. A estas e estes vão-se juntando as amigas e respectiva prole. Todas a tentar poupar ou sem dinheiro para desperdiçar. A agenda é sempre repleta e o divertimento garantido.


 


As bricolices relacionadas com panos, botões e missangas são em regra a duas mãos: as minhas e as da Carla. Andamos de mãos dadas desde o tempo em que partilhavamos impressões sobre o último episódio do MacGyver. Aos sábados, são frequentes os lanches lá em casa com panos e linhas. 


 


E isto tudo para concluir que há caixas com materiais, máquinas e maquinetas, papéis de várias cores, linhas, botões, fitas, caixas de arquivo (resquícios de actividade profissional)... tanto, tanto que nunca encontro nada.


 


Aqui está o ponto de partida: organizar as diversas identidades em diversos blogs. Organizar as referências, inspirações, experiências, dúvidas. Destralhar o digital será o primeiro passo. 


 


Bem-vindas/os!

O início

Há vários métodos e regras.


 


Tenho multiplicado as leituras e a uma conclusão já cheguei há muito: destralhar não é organizar e não é arrumar. Destralhar tem muito mais a ver com purgar os espaços do desnecessário. 


 


Claro que alguma organização será inevitável e até o passo seguinte. Mas já descobri que um elefante se come dentada a dentada. Por isso, não me vou condenar ao fracasso estipulando como objectivo destralhar uma casa que demorou 10 anos a "tralhar". 


 


As tralhas têm de ter um destino. Terá de haver uma decisão consciente para o que entra e o que sai. 


 


Mas destralhar num determinado momento não é o suficiente. Destralhar pode tornar-se apenas um momento, se acabar por comprar mais um e mais um. Não chega ser um verbo, terá de transformar-se num hábito e hábitos demoram tempo a serem interiorizados.


 


Tenho tempo, só não sei se terei a motivação para a maratona.


 


Dentada a dentada. Espaço a espaço, objecto a objecto. Ajustar a metodologia e voltar a tentar.