Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Destralhar

Plano B da Vida

Destralhar

Plano B da Vida

A doença do ter muito para fazer

Nos últimos dias, tenho reflectido sobre isso. É que depois de me remover do Facebook e de algumas publicações nos blogs, acabo por ficar com muito tempo livre. E a verdade é que, com o sentimento de alívio pela diminuição do stress, não veio um sentimento de felicidade e o preenchimento desse tempo com tarefas idealizadas. 

 

Na verdade, na última semana tenho-me sentido algo perdida - o que faço agora? - e culpada - eu não deveria estar a fazer algo?  

 

Abrandar, resistir à tentação de me manter sistematicamente ocupada (busy, busy, busy), está a ser muito mais difícil do que imaginava. 

 

Voltei a andar a pé. No final da tarde dou às sapatilhas e vou caminhar até à praia. 

 

Um episódio curioso.

Fui fazer uma caminhada, junto à praia, mas estava com os pés quentes e desconfortável.

Levei um livro comigo e sentei-me a ler, sentada num muro, de frente para um pôr-do-sol a anunciar-se. Às tantas olho para a minha esquerda e vejo um jovem sentado a ver o mesmo pôr-do-sol, mas descalço.

Tirar os sapatilhas. Não tinha ocorrido o óbvio. Tirei as sapatilhas. 

Este episódio diz muito de como utilizo o espaço público. Raramente o vejo como meu, como um local que posso usufruir livremente.

Não sei se é a minha natureza ermita ou um formalismo bacoco, mas é algo que quero mudar.

 

Abrandei demais?

DSC_0001.JPGAndo a tentar ter mais actividades relaxantes e "cerebrais" e isso, para mim, traduz-se em ler, ouvir podcasts sobre livros e fazer puzzles.

A tentar abrandar um pouco o ritmo da minha vida e, acima de tudo, a tentar fugir do sentimento que, se não estiver a produzir resultados - assumam eles a forma que assumirem - não estou a utilizar bem o meu tempo. 

É precisamente nesse ponto que tenho grande dificuldade: eu sinto a necessidade de estar constantemente a produzir algo - uma casa arrumada, um bordado, uma costura... um post.

 

Este puzzle é uma tentativa de substituir o fazer pelo estar. Uma tentativa de descansar verdadeiramente e não sentir que estive sistematicamente ocupada com algo.

 

Mesmo assim, tive de me enganar, deitando mãos de estudos que concluem que este tipo de actividades reduzem, de forma expressiva, doenças degenerativas como Parkinson ou demência. 

 

Mas nem tudo são rosas. Escolhi um puzzles que tem 1/4 de peças com o mesmo tom de azul e preciso da mesa para uma almoço, no próximo domingo. Era só o que me faltava, stressar por causa de um puzzle. 

destralhar a mente

Hoje não fui trabalhar. Tinha uma consulta com a minha mãe. Saímos de casa cerca das 12h00 e eu estava certa que antes das 16h00 estaríamos de volta.

 

Peguei na agenda, porque queria poder aproveitar para uns telefonemas profissionais, mas o impensável aconteceu: esqueci-me do telemóvel. Isso significaria que, no trabalho não teriam como me contactar, por telefone ou email. Pensei voltar para casa para o ir buscar, fiquei ansiosa, continuei ansiosa com os telefonemas e emails que poderia não estar a receber ou os que não estava a fazer. 

 

Depois obriguei-me a parar e colocar as coisas na correcta perspectiva:

- ninguém me havia ligado até às 12h00;

- pelas 15h-16h já estaria de novo contactável;

- eu não tenho uma profissão em que o meu contacto urgente seja necessário (pode ser conveniente, mas não é verdadeiramente necessário);

- eu estava com a minha mãe doente e deveria ser ela, a ter a minha total atenção.

 

Na minha mente, desliguei o telemóvel.